A beleza como medida de todas as coisas

     - Aristóteles dizia que a beleza é um conceito objetivo, afirmava uma colega de faculdade. – Como a beleza pode ser objetiva, se a cultura se transforma a todo tempo? Contestei eu, demonstrando a arrogância típica dos desinformados graduandos. Ela então explicou uma lição fantástica. – Belo, para Aristóteles, é tudo aquilo que atinge o máximo de sua potencialidade. Nesse sentido, a potencialidade das coisas muda na medida da mudança da sociedade, mas esse sentido da beleza segue sendo objetivo. Fiquei paralisado por algo tão contundentemente sábio, simples e profundo. Isso me auxiliou a explicar muitas coisas. Especialmente, me auxiliou a justificar a necessidade de nos abrirmos para o conhecimento, para compreensão, para arte, para cultura.

     No sentido aristotélico, o que criamos profissionalmente pode ser belo para alguém que pouco conhece a cultura humana, pois naquela visão subjetiva individual as possibilidades se esgotam ali. Por outro lado, o que criamos também pode se amoldar nos mais altos graus de abstração, arranhando a quase plenitude do espírito humano. A beleza emociona!

     Hoje, em uma era de massificação de tudo, onde coisas como carros, roupas e músicas são a cópia e a multiplicação de poucas ações verdadeiramente originais e belas, parece não ser sábio seguir uma corrida com tantos maratonistas mais velozes. Frente à chatice do mundo, o trabalho criativo dos artesãos têm ganhado importância e valorização em muitos campos: na moda, na personificação de veículos, na cutelaria, nos móveis artesanais e nos produtos orgânicos. Valorizamos a autenticidade do trabalho humano, criativo e autêntico. Essa é a “nova” fronteira da potencialidade. Se não conseguimos produzir por um preço menor, temos de produzir agregando mais valor.

     Mas essa reflexão de nada adianta se a sensibilidade não refletir um maior espectro da alma humana. Não há dúvidas de que alguém pode levar um grande tempo para fazer uma “roupa” bordada de prenda para uma térmica (nunca pensei que uma térmica sentisse frio), mas isso é belo no sentido aristotélico? O trabalho do artista e do cientista são muito parecidos, pois a inovação precisa tentar o diferente. Para criar é preciso sonhar e tentar! O fracasso assusta, mas ele quase sempre é ingrediente da receita do sucesso. Precisamos seguir com os olhos voltados para o universo, seja aquele que está no mundo, seja aquele que está dentro de nós. Você, o que está esperando para deixar a sua marca no mundo?

Vagner Felipe Kühn

Texto publicado originalmente no Jornal Tribuna da Produção. 
Como citar: KÜHN, Vagner Felipe. A beleza como medida de todas as coisas. Tribuna da Produção, Palmeira das Missões, p. 7, 08 setembro 2017. ORCID-IDhttps://orcid.org/0000-0003-4259-4591