Albert Einstein: a República como resposta

            Albert Einstein disse qual era seu ideal de política no livro intitulado “Como vejo o mundo”: “A virtude republicana corresponde a meu ideal político”. Essa afirmação não foi lançada fora de contexto, porque ele próprio também dizia que “a humanidade se apaixona por finalidades irrisórias que têm por nome a riqueza, a glória, o luxo”, mesmo tendo uma grande potencialidade para transcender suas limitações e progredir.

            Esse gênio da física, reconhecido por sua contribuição individual ao progresso da humanidade, lembrava, em tom humilde, que nossa espécie é dependente da sociedade: “Eu, enquanto homem, não existo somente como criatura individual, mas me descubro membro de uma grande comunidade humana. Ela me dirige, corpo e alma, desde o nascimento até a morte”.

            Não é de se espantar, portanto, que um dos maiores gênios da humanidade, Albert Einstein, considere que a justificação de nossa existência está na coletividade. Não apenas o nosso grupo, os nossos aliados ou a nossa cidade, mas todos aqueles que expressam a condição humana. Tudo o que você tem, individualmente, ativo financeiro ou conhecimento, em nada valeria caso você estivesse, sozinho, em uma ilha deserta. Até mesmo os aparentemente mais individuais atributos pessoais morrerão e serão esquecidos, caso não contemplem a humanidade. 

            Se você tem medo da morte, da solidão ou do esquecimento é porque não está olhando para o lado correto, deveria ver o lado de fora e começar a trabalhar, seja qual for a profissão, com a atenção voltada ao progresso de todos. Deveria se dedicar a ver o que não está lá, mas que pode ser projetado pelos mais altos ideais e sonhos.

            Para Marco Túlio Cícero, que viveu na Roma clássica, para haver República, devem existir multitude (grupo representativo de pessoas), communio (comunhão de fins) e consensus iuris (identificação com as normas). A virtude da República de que trata Albert Einstein se apoia na projeção desses elementos constitutivos.

            Chego, finalmente, no ponto central dessa reflexão: nos desafios desta República (sim, ela nasceu em cidades, por essa razão pode ser utilizada a expressão neste sentido). Temos observado notícias sobre supostos atos em desrespeito às regras ambientais por parte do Poder Executivo, enquanto também são noticiadas operações policiais investigando integrante do Poder Legislativo. E, ao mesmo tempo, os anos passam e a sensação de que não temos um caminho para potencializar o progresso inclusivo aumenta, com a persistência da miséria.

             Constata-se, aqui, neste momento histórico, uma relevante falta de comunhão de fins, além de um preocupante grau de desrespeito a normas que deveriam ser parte do consenso normativo. É um belo barco republicano, mas que navega a uma pequena fração de sua potencial velocidade. A saída para a crise? Veja o mundo pelos olhos de Albert Einstein, abrace a República e passe a guiar seus passos pelos mais ambiciosos e idealizados sonhos. Busque o que ela pode ser!

 

Vagner Felipe Kühn, nascido, social e biologicamente, em 20/10/1981.

Texto publicado originalmente no Jornal Tribuna da Produção. 
Como citar: KÜHN, Vagner Felipe. Albert Einstein: a República como resposta. Tribuna da Produção, Palmeira das Missões, p. 2, 20 outubro 2017. ORCID-IDhttps://orcid.org/0000-0003-4259-4591