As quatro estações, uma analogia com a vida
Francisca Veronese Kühn

              Lembro quando perguntava para minha mãe: quando vou crescer? Quando vou ficar do tamanho de minhas irmãs mais velhas? Em especial, a irmã Luíza. Ela me parecia muito maior, por usar roupas longas de religiosa. Na verdade, eu queria ser bispo! Isso era motivo de brigas com meu irmão Moisés. Ele me explicava, em meio aos pontapés, que ser bispo era coisa de menino. Ele sim que é poderia ser um bispo.

              Minha mãe ouvia tudo e nos dizia que sim, poderíamos ser o que quiséssemos. Entretanto, ela nos lembrava que ainda era cedo, estávamos na primavera da vida. Nós iríamos desabrochar aos poucos.

              Passaram-se muitos anos e acontecimentos. Estudei, com muita dificuldade financeira, mas com muito apoio dos meus pais. Eles se sentiam orgulhosos por terem filhos estudando. E eram muitos os filhos, onze. Diziam que o estudo era para que a gente batesse as asas e aprendesse a voar. Vibravam com nosso primeiro emprego, com as conquistas.

              Quando me casei, percebi que não podia mais ser bispo. E vieram os filhos. Creio que este é o verão, fazendo a analogia. Os frutos começaram a ser colhidos com as escolhas dos filhos, os vestibulares, os cursos universitários, as formaturas e os caminhos que eles começaram a trilhar.

              Um outono cheio de boas colheitas, pois todos estudaram e estudam muito. Mereceram o que plantaram. E nós, os pais, também ficamos orgulhosos de suas colheitas. Ainda bem que nenhum quis ser bispo.

              Um período de saudades, de dividir o tempo do nosso emprego com pequenas visitas ao final de semana, que eram um bálsamo para amenizar a falta que sentíamos. E o tempo foi passando, vieram as formaturas e logo cada um tomou o seu rumo, fizeram sua revoada.

              Também a nossa vida mudou: a aposentadoria. A sonhada aposentadoria, mais um momento de mudanças, foi preciso preparo emocional para encarar os seus limites. O tão sonhado tempo para fazer tudo, nem sempre é tão fácil. Até parece um inverno, daqueles com chuvas, que estragam os planos, e nos limitam um pouco de voar.

              Reencontramos os amigos que há muito tempo não os víamos, a nossa geração ainda tem medo das mídias. Nos assustamos com suas imagens atuais, e creio que também levam um susto com a nossa. Penso: realmente, o inverno chegou. É o ciclo da vida, encerrando as quatro estações.

              Sim, encerrando com muitas vantagens. A de sermos avós em tempo integral, reiniciamos outra primavera com eles. Podemos estar conectados com o mundo, ter os filhos bem perto com o poder das mídias. Mesmo com as chuvas do inverno, podemos viver com muita alegria e com felicidade, não dando espaço para tristeza ou para depressão.

              Temos muitas oportunidades em cada estação, e colher o melhor de cada uma é a beleza da vida. Assim, o Sol pode brilhar em cada estação, com a esperança de um amanhã, mesmo para quem se encaminha para o final da vida, mas com a alegria de ter vivido plenamente.

Como citar: KÜHN, Francisca Veronese. As quatro estações, uma analogia com a vida. Instituto Preceptor Kühn, Palmeira das Missões, 26 de julho de 2018. Disponível em: https://www.preceptorkuhn.com.br/as-quatro-estacoes-uma-analogia-com