Sim Senhor

 

            Esta semana escrevo da Capital mexicana, a Cidade do México. Terei a satisfação de ser um dos palestrantes em uma conferência na Câmara de Deputados do Congresso Federal. Há alguns anos, desanimado com o ensino na graduação do Direito, depois de pedir demissão do cargo de Professor de Direito Constitucional, resolvi incorporar a noção trabalhada no filme “Sim Senhor” (um filme de Peyton Reed com Jim Carrey) e começar a dizer sim para as coisas para as quais me sentia desafiado.

            Comecei dizendo sim a um anúncio que convidava a fazer o Curso de Doutorado em Direito Constitucional na Universidade de Buenos Aires. Uma vez lá, disse sim ao convite para fazer um Curso de Mestrado na Universidade de Girona, Espanha, que serve como um módulo do Doutorado na Argentina. Na Espanha, disse sim a provocação de um professor para ir à França pesquisar livros raros sobre Léon Duguit, um francês pouco lido que escreveu sobre Direito Administrativo. Lá encontrei, próximo à prestigiada Universidade Paris-Sorbonne, uma pequena livraria dedicada a reimpressão de clássicos do Direito. Um desconfiado atendente perguntou-me se eu realmente queria conhecer a obra de Léon Duguit, e eu, mais uma vez, disse sim. A compra das obras arrasou meu orçamento, mas gerou um artigo do qual me orgulho: “La influencia del pragmatismo, filosófico y jurídico, en la concepción de servicio público de Léon Duguit y el rescate de la legitimación empírica del Estado Constitucional en el contexto latinoamericano”.

            Depois disso, um colega da Universidade de Buenos Aires perguntou-me se eu queria fazer parte de um grupo de pesquisas do Parlamento do México, se eu tinha algum trabalho de fôlego para enviar. E, por eu já ter dito sim outras vezes, pude dizer sim também mais essa vez, sendo aceito para fazer parte da “Red de Investigadores Parlamentarios en Línea (REDIPAL)”. Amanhã (dia 22/02/2018), palestrarei em uma conferência, dia 23/02/2018, receberei uma distinção pelo trabalho que referi, agora publicado pela REDIPAL.

            Não sei muito bem onde tudo isso vai me levar, também não sei o resultado que o mundo me reserva por dizer sim a esta coluna semanal, mas posso dizer uma coisa singela disso tudo: dizer mais sim do que não tem enriquecido muito minha vida. Desde que comecei esse processo conheci diversos países, dezenas de pessoas e multipliquei o tamanho de meu coração para fazer caber as amizades que surgiram. E as voltas pelo mundo não apagaram a felicidade de ter escolhido Palmeira das Missões como a minha Cidade.

            Viajar e discutir ideias mundo afora nos permitem ter clareza de que a dualidade sempre esteve presente na condição humana. Aqui, no México, já estava presente antes da fé católica ser trazida pelos espanhóis. As figuras “Quetzalcóatl” e “Tezcatlipoca” da mitologia mexicana representam esse antagonismo, lembrando-nos que essa é a condição onde o espírito humano floresce. Mas esse é um assunto para a próxima semana.

Texto publicado originalmente no Jornal Tribuna da Produção. 
Como citar: KÜHN, Vagner Felipe. Sim Senhor. Tribuna da Produção, Palmeira das Missões, p. 6, 23 fevereiro 2018. ORCID-ID: https://orcid.org/0000-0003-4259-4591