A força de trabalho de Palmeira das Missões: estamos preparados para o desenvolvimento?

 

            O Tribunal Superior Eleitoral disponibiliza em seu site informações sobre a escolaridade do eleitorado de cada uma das cidades do Brasil. Observando as estatísticas do eleitorado de 2016, é possível perceber o tamanho do desafio educacional a ser enfrentado por Palmeira das Missões. Fica a dúvida, diante desses dados oficiais, somos uma boa opção de investimento?

            Palmeira das Missões, segundo o TSE, tinha 26.423 eleitores em 2016. Pessoas em idade de trabalho, vez que o cadastro e emissão do título de eleitor só podem ocorrer a partir dos dezesseis anos. Em outras palavras, não estamos falando da escolaridade das crianças e da maior parte dos adolescentes, mas da força de trabalho. Desses 26.423 eleitores, 17.449 eleitores não têm o segundo grau completo (66,04%). Desse grupo, 11.163 pessoas (42,25%) sequer têm o ensino fundamental completo. Não se trata de uma discussão acerca da atribuição de culpa, é a mensuração do tamanho de um grave problema social.

            Constantemente, escuto dos empresários que a cidade carece de mão de obra. Não raro, pessoas de fora daqui são contratadas, por absoluta falta de condições técnicas da imensa massa de desempregados. O campo, que outrora foi o destino dos trabalhadores sem muita escolaridade, diante do progressivo uso de tecnologia, parece oferecer cada vez menos oportunidades. Se isso é verdade no Brasil, é ainda mais verdade em nossa Cidade, que se destaca pela intensa especialização da atividade agrícola. São menos empresas que usam um nível crescente de tecnologia e, consequentemente, menos pessoas.

             Imperativa a reflexão: e se uma grande empresa pretendesse se instalar aqui, necessitando de 1000 (mil) empregados com segundo grau completo? Teríamos condições de fazer com que essas oportunidades chegassem aos mais necessitados? Infelizmente, a resposta é clara: não teríamos tais condições.

            Tenho conversado com as pessoas daqui sobre os caminhos de nosso desenvolvimento. Invariavelmente, citam a necessidade de um programa de incentivos fiscais, de disponibilização de área para instalação e outras contrapartidas. Não me recordo, contudo, de alguém mencionar a necessidade de alternativas para reduzir nossa vergonhosa carência no âmbito da educação. Parecem esquecer que o ser humano é o principal insumo de qualquer atividade econômica.

            Nossa cidade tem um programa de educação de adultos, não desconheço o belo e difícil trabalho que nossos valentes professores desempenham. Nunca é pouco o agradecimento a quem trabalha nessa tarefa de resgate. Entretanto, também não podemos ignorar os números. Esse serviço público não tem sido suficiente.

            Qual é a saída para o problema? Ninguém poderia dar uma solução em poucas linhas. Atrevo-me, contudo, a indicar um ponto de partida: admitir a gravidade do problema, perceber que deve ser enfrentado por toda a sociedade e compreender de uma vez por todas que, mesmo não sendo fácil, esse resgate é imprescindível para a construção de nosso futuro.  

Texto publicado originalmente no Jornal Tribuna da Produção. 
Como citar: KÜHN, Vagner Felipe. A força de trabalho de Palmeira: estamos preparados para o desenvolvimento? Tribuna da Produção. Palmeira das Missões, p. 8, 12 maio 2017.