Wilhelm Dilthey e a empatia como instrumento de compreensão humana

 

            Wilhelm Dilthey foi professor na prestigiada Universidade de Berlim. Viveu no período de 1833 até 1911. E qual sua grande contribuição à humanidade? Dilthey elevou a empatia a um modelo de compreensão da sociedade. Para ele, não bastavam as formulações teóricas e idealizadas, tradicionais na filosofia da época. Era preciso que o cientista verdadeiramente buscasse ver desde o interior de outro ser humano.

            Muitas pessoas passam pelo mundo seguras de si e de seus propósitos. Inflexíveis em suas buscas e incapazes de ver a vida por meio de outros olhos. Não se trata do sentimento de pena, que em muitos casos é gentilmente chamado de compaixão, mas do exercício criativo e sensorial de “estar nos sapatos do outro”. Há um ditado atribuído aos índios norte-americanos que diz o seguinte: “nunca julgue um homem até você ter andado uma milha em seus mocassins”.

            A falta de empatia tem se agravado, porque o ser humano tem sido constantemente soterrado com imagens e sons de sofrimento advindos dos mais variados cantos do mundo. Pessoas dotadas de uma grande capacidade de empatia têm se fechado a essa experiência, por instinto de preservação, como uma planta que abandona suas folhas nas estações menos propícias ao seu desenvolvimento.

            Mas nem tudo está perdido para nossa geração, os meios de comunicação também têm permitido que os usuários busquem a informação que querem e que podem consumir, algo que tem potencial para devolver a incrível sensação da redescoberta de outros mundos, por outros olhos.

            Qualquer um com acesso à internet e um pouco de tempo pode, por exemplo, visitar o site do Museu da Empatia (www.empathymuseum.com), criado em 2015 com o propósito de ajudar as pessoas a “olhar para o mundo através dos olhos de outras pessoas”. Lá existe uma exposição que busca colocar em prática o ditado que refere não podermos julgar uma pessoa sem ter vestido seus sapatos: “Mile in My Shoes” (traduzindo: uma milha – que é uma medida de distância - com os meus sapatos). Os visitantes são convidados a vestir os sapatos e caminhar, enquanto escutam as diferentes narrativas de vida.

         Vivemos tempos em que discussões sem importância tomam um espaço relevante das vidas humanas, gerando aborrecimento, distância e fechamento cognitivo. Tudo isso em um momento especial em que temos liberdade e meios para descobrir o lado positivo do acumulado de experiências humanas nos mais variados campos do saber. Não desista da empatia, não se feche, não deixe o medo e a falta de informação vencerem você. A empatia é um excelente instrumento de compreensão e autocompreensão, um ponto onde a ciência e a arte coexistem. Uma frase de William Shakespeare ilustra bem isso tudo: “Se você se sente só é porque ergueu muros em vez de pontes”.

Texto publicado originalmente no Jornal Tribuna da Produção. 
Como citar: KÜHN, Vagner Felipe. Wilhelm Dilthey e a empatia como instrumento de compreensão humana. Tribuna da Produção, Palmeira das Missões, p. 4, 27 outubro 2017. ORCID-IDhttps://orcid.org/0000-0003-4259-4591